Na pequena infância é a curiosidade que nos leva a caminhar
Ao fim de vários meses o bébé ergue-se finalmente e entra num equilíbrio temporariamente instável e desconfortável. Perante o desconhecido e ainda assim instável, sente a vontade que alimenta a curiosidade, de querer dar mais um pequeno passo. E é desse modo desconfortável que rompe o equilíbrio e avança mais uns centímetros. E sempre que rompe com o equilíbrio anterior, sente o enorme desconforto de entrar num novo desconhecido, num novo desequilíbrio. Não se detém, e avança para um novo passo, e mais um passo; e deste modo vai evoluindo no domínio de uma nova técnica que lhe permite mover mais rápido e em distâncias cada vez maiores. Esta é a maior lição da vida: para crescer e evoluir há que nos desafiarmos e rompermos constantemente com o conforto dos nossos equilíbrios, lembrando-nos sempre de procurarmos novos e melhores equilíbrios.

Na média infância a curiosidade leva-nos a mundos fantásticos
E à medida que crescemos, e ainda como crianças, ansiamos por tudo experimentar, sem medo, sem vergonha, sem preconceito e imaginamos e criamos uma realidade de mundos fantásticos vividos por personagens não menos fantásticas, que tudo podem ser: de gigantes a pássaros, de habitantes de Universos distantes a cidades submarinas, de comuns terráqueos a heróis endeusados. De modo otimista acreditamos num mundo e numa realidade em que tudo é possível, e onde só cabem a imaginação e a criatividade.

E é então que nos pretendem “educar”, e desde aí a base de toda a nossa educação passa a assentar na pressão constante para obtenção de resultados, exigência feita sobre os pais, sobre os diretores de escolas e sobre os professores, que por sua vez transferem essa pressão para as crianças. Fecha-se assim o espaço permitido à criança para a criatividade, para a autonomia, para o pensamento crítico, para as ideias e opiniões diferentes.

Crescemos, a curiosidade fica presa: dão-nos – e temos – pouco espaço

A criatividade, a curiosidade e o pensamento crítico necessitam de autonomia, de paixão, de tempo livre. Precisam menos de controlo e de programas massivos e inflexíveis em que se procure passar o máximo de informação no menor tempo possível. Pensamentos ou ideias laterais precisam de espaço e tempo para serem criadas e desenvolvidas.

O não preencher o tempo livre com mais e mais tarefas é um factor determinante para a libertação do espírito criativo, do mundo da fantasia que cada um de nós transporta originalmente no seu cérebro, ainda que muitas vezes adormecido e forçado ao esquecimento.

O segredo para o crescimento e para a expansão do indivíduo passa pela manifestação livre da sua curiosidade. A curiosidade, para que se manifeste, necessita da paixão genuína, de sermos crianças de novo sem medo de questionar e de descobrir novos caminhos, caminhos alternativos. Questionar o antigo, questionar o status quo, questionar os princípios, as crenças e os hábitos faz-nos crescer e faz crescer os outros e o Ambiente em que nos inserimos.

A Empresa pode e deve dar liberdade à curiosidade
E é também assim no mundo das Empresas. Permitindo o exercício livre da curiosidade dos colaboradores, libertamos a sua criatividade e o seu pensamento crítico. Para tal, as hierarquias têm que incentivar os seus colaboradores ao levantamento de questões sem barreiras e à liberdade do pensamento sem receio de poder errar. É assim que conseguimos tirar partido de todo o enorme potencial disponível nas pessoas que formam a Empresa, para além de criarmos nos colaboradores o sentimento de participação ativa no crescimento e sucesso da Empresa. Também estes colaboradores devem ser pró-ativos e aceitar os desafios das chefias para novas visões e abordagens. Também devem ser abertos à curiosidade daqueles que os rodeiam. Deste modo estaremos a tirar partido do enorme potencial resultante de um Universo muito maior de experiências vivenciadas, de diferentes perspetivas de vida e de diferentes conhecimentos e sentimentos que constituem o Universo humano da Empresa.

Esta consciência do valor da curiosidade, da criatividade e do pensamento crítico, numa realidade empresarial caracterizada pela necessidade de quantidade, de qualidade e de rapidez na obtenção de resultados, tem criado aos líderes atuais um enorme desafio. Este é o desafio que serviu de fundação ao nosso Projecto, no despertar das Empresas para a necessidade de encontrar esse ponto de equilíbrio de um binómio que à partida pareceria incompatível.